Blog da Parábola Editorial

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FRANCISCO CALVO DEL OLMO é professor no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fez doutorado em Estudos da Tradução na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e realizou um estágio de pós-doutorado no Laboratório Lidilem da Université Grenoble-Alpes (2018-2019) graças a uma bolsa do programa...

FRANCISCO CALVO DEL OLMO é professor no Departamento de Letras Estrangeiras Modernas da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Fez doutorado em Estudos da Tradução na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e realizou um estágio de pós-doutorado no Laboratório Lidilem da Université Grenoble-Alpes (2018-2019) graças a uma bolsa do programa Capes-Cofecub. Também é líder do grupo de pesquisa em Intercompreensão, Didática do Purilinguismo e Políticas de Línguas - FLORES registrado junto à Capes.

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Língua, orfandade e pandemia

IlustraBLOG-27-de-abril

 

*orbh-: quando o trabalho não dignifica

 

A proposta dos nossos textos é aproximar a etimologia da atualidade, retraçar os caminhos que as palavras seguiram através dos séculos para trazer luz e amparo ao presente. 

No dia 16 de março, quando termino a redação deste texto, cumpre-se um ano da suspensão das aulas presenciais na Universidade Federal do Paraná, onde eu trabalho. As reitoras e reitores de todas as universidades públicas do país tomaram a mesma decisão de forma praticamente simultânea. Uma medida inédita que só podemos entender à luz da crise sanitária produzida pela Covid-19 e a necessidade urgente de frear a expansão do vírus. Da noite para o dia, as docentes, alunas e demais membros da comunidade acadêmica ficaram órfãs do trabalho, que constituía parte importante de suas identidades e subjetividades, cegados, em certa medida, pela magnitude da crise. Lembrando agora aquele momento — à distância de um ano — e considerando a progressão da pandemia, decidi dar continuidade às postagens que venho publicando neste espaço da Parábola.

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De vacinas, vacas e demais bovinos

Vacinas

 

Uma vez, li numa crônica que as palavras são vagalumes nas sombras. Desde o profundo de nossas gargantas, elas iluminam séculos de conversas e, no timbre infantil de uma criança que está aprendendo a falar, escutamos vozes antiquíssimas, milenares. Neste final de 2020, os informativos do mundo inteiro ecoam a palavra vacina, vacuna, vaccin, vaccine, vaccino, Vakzine, vakcína e outros cognatos parecidos. No início de novembro, a farmacêutica Pfizer anunciou os resultados preliminares de sua vacina, que imuniza contra o coronavírus em 90% dos casos. O composto da farmacêutica estadunidense, fabricado em parceria com a empresa alemã BioNTech, ainda precisa ser aprovado, mas as primeiras doses poderiam chegar em janeiro de 2021. Sabemos que essa não é a única vacina que está sendo desenvolvida no momento e, de fato, há mais de trezentos projetos em curso. Todos eles compartilham um mesmo ponto de partida: injetar partes do vírus (proteínas, patógeno inativado, fragmentos de RNA) para que nosso organismo as detecte e produza defesas, anticorpos. Este é, de fato, o princípio geral de qualquer vacina.

 

Na década de 1780, o médico britânico Edward Jenner (1749-1823), que na época recebia o nome de physician, observou as mulheres camponesas que tinham contato com as vacas ao ordenhá-las. Com alguma frequência, elas se infectavam com uma doença desses animais, a varíola bovina (variolae vaccinae), o que provocava nelas umas incômodas chagas nas mãos e nos braços, mas que, de nenhum modo, as levaria à morte. A varíola bovina, ou cowpox, era um vírus muito menos perigoso do que seu primo, o da varíola humana (variola major), que produz chagas por todo o corpo e mata aproximadamente um terço de seus hóspedes, principalmente crianças. Observando e conversando com aquelas jovens vaqueiras, o médico desenvolveu uma técnica para prevenir a doença mortal: injetando nas pessoas o vírus da varíola bovina conseguia que elas se tornassem imunes à varíola humana. O saber ancestral das mulheres camponesas se transformou em ciência, capaz de ser levada a sério pelas instituições sanitárias públicas da Inglaterra, e valeu a fama de Edward Jenner. Aquele composto feito com o vírus bovino recebeu o nome de vaccine em inglês, e assim foi produzida a primeira vacina do Ocidente. Mais tarde, o químico francês Louis Pasteur  (1822-1895) aplicaria o mesmo princípio para prevenir outros vírus, estendendo o uso do termo.     

 

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