Blog da Parábola Editorial

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Enunciado de atividades e tarefas escolares: muda alguma coisa no ensino remoto?

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Denise Lino

 

Quando escrevi o livro “Enunciado de atividades e tarefas escolares – modos de fazer”, a referência era o ensino presencial e a atuação docente naquilo que hoje pode ser chamado de o trabalho convencional do professor: na escola, com alguns horários para planejar e elaborar atividades para os alunos. No momento do planejamento, era comum a discussão com colegas, a apresentação de sugestões e quase sempre a refacção dos enunciados.

Como decorrência da COVID-19, a suspensão das aulas presenciais levou à introdução do ensino remoto que mudou esse cenário. Não só a sala de professores e a sala de aula estão na sala da casa dos professores, como aquela interlocução presencial com os colegas é também remota, virtual, por vezes assíncrona, o que leva a perda do timing da discussão. Porém, a mudança mais significativa nesse cenário diz respeito à interlocução. Neste momento, o primeiro interlocutor do professor não é mais necessariamente o(a) seu(ua) aluno(a) é também, e às vezes primeiro, o pai/a mãe, os avós e/ou o(a)s cuidadore(a)s das crianças e adolescentes que estão assistindo aulas através de celulares, notebooks e até TV e rádio, nos cenários díspares do Brasil. Assim, o professor hoje não só “fala”, mas escreve para um outro público que precisa receber de forma clara as instruções sobre o que fazer e o como fazer.

Em função desse cenário, penso que a elaboração de enunciados de atividades e de tarefas escolares se mostra muito relevante e deve ser levada em consideração pelo(a)s docentes dos diferentes componentes curriculares. Conforme defendo no livro em tela, a autoria de material didático é uma competência a ser enfatizada nos cursos de formação inicial e continuada, dada sua importância para a autonomia e desenvolvimento profissional. Por isso, o propósito dessa obra é apresentar critérios para a redação de enunciados escolares. Se estes estiverem tecnicamente corretos e forem escritos de modo desafiador à inteligência, tanto discentes quanto os que lhe assistem entenderão o que está sendo orientado, questionado, solicitado, etc. Quando se tem isso em vista, é possível elaborar atividades em função das aprendizagens dos alunos.

O livro está organizado em quatro capítulos. No primeiro, abordo o conceito de atividade e de tarefas e sua relação com a aula de leitura e de escrita. No segundo, apresento os conceitos de sequência injuntiva e sua utilização em enunciados de atividades escolares. No terceiro, reviso as noções de níveis de leitura e questões de compreensão com a finalidade de apresentar modelos de questões discursiva e de múltipla escolha. Concluindo, no quarto capítulo, dou destaque ao tipo de questão de múltipla escolha usado no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM).

         Embora tenha escrito este livro pensando nos professores de português, os fundamentos aplicam-se à elaboração de atividades e tarefas de diferentes componentes da educação básica. Quem diz isto não sou eu, mas os professores os quais já dialoguei.

         Agora, está na hora de um outro diálogo começar. Desta feita, em torno do trabalho proposto como parte do ensino remoto.  O que melhora nessa modalidade quando as atividades e tarefas são lidas/entendidas e realizadas por alunos/pais/avós/cuidadores?

 

Falar, ler e escrever em sala de aula
A LUTA PELA DEMOCRACIA LINGUÍSTICA
 

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