Blog da Parábola Editorial

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LÍNGUA PORTUGUESA

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Um conselho: “Invista no seu domínio da língua”

 

Um conselho para quem quiser: invista no seu domínio da língua. Faz toda a diferença. Em qualquer área. Isso não quer dizer saber gramática, diga-se. Também isso, mas língua é mais do que isso. Língua é saber usar com propriedade a variante padrão do idioma, que é a forma de investimento social. Mas é fundamental saber e compreender – e aceitar – que há variações de registros, estilos, figuras. Que o certo e o errado são conjunturais. Transitar nisso tudo nos faz poliglotas na própria língua. Saber usar a língua é igual a dançar. Nada mais lindo do que ver alguém dançando forró com propriedade. E valsa. E samba. E funk. Quanto mais estilos, melhor. Isso é língua. E, como eu disse, faz toda a diferença.

 

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LÍNGUA PORTUGUESA

devemos-apontar
 
Devemos apontar publicamente os erros de português dos outros?

 
Imaginem que encontram um erro ortográfico num blogue ou no Facebook.
 
Aquilo dói-vos na alma de defensores da língua.
 
O que fazem?
 
Há quem tenha a tendência para apontar para o erro de forma muito pública, com toda a pontuação e palavras necessárias para mostrar que se está a rir a bom rir com a ignorância alheia.
 
Ora, talvez o mais correcto seja olhar para o texto e ver se o erro é uma distracção ou gralha ou se, pelo contrário, o autor tem problemas com a ortografia.
Neste último caso, uma humilhação pública só vai afastar a pessoa da melhor forma de aprender a escrever bem: ler e escrever muito. Mais vale ignorar, quanto a mim — mas compreendo que outros pensem doutra maneira.
 
Humilhação pública só vai afastar a pessoa da melhor forma de aprender a escrever bem: ler e escrever muito.
 
Por outro lado, se o erro for uma distracção e se acharmos que vale a pena apontá-lo ao autor, qual a vantagem de fazê-lo em público? Podemos sempre enviar um e-mail ou mensagem privada.
 
Andar a envergonhar os outros publicamente só para mostrarmos quão espertos somos é um dos poucos verdadeiros “ataques à língua portuguesa”: retira confiança a quem escreve, faz-nos hesitar demasiado, leva a muitas desistências, deixa-nos a todos enervados e às vezes abre guerras sem grande necessidade.
 
Andar a envergonhar os outros publicamente só para mostrarmos quão espertos somos é um dos poucos verdadeiros “ataques à língua portuguesa”.
 
Para dizer a verdade, defendemos mais a língua portuguesa quando a usamos sem medo — e é um prazer ler sem vestirmos a capa de caçadores de erros (quem trabalha em tradução tem de caçá-los por motivos profissionais…).
 
Abro uma excepção: quando os próprios atacantes gozam com erros alheios de forma pública e, vai-se a ver, os erros não são erros — nesse caso temos mesmo de os corrigir.
 
Ainda hoje fui acusado de inventar uma palavra. Qual palavra? A palavra “dum”.
 
Sim, eu sei que há quem odeie essa contracção, mas ela existe e é legítima. Não merece a forma empolgada como o comentário foi escrito.
 
(Isto foi escrito como comentário a uma partilha do artigo Quais as duas tarefas mais importantes dum tradutor?)
 

 
Ora, bastaria à comentadora ter-se lembrado d’A Queda dum Anjo. Para quem tem dúvidas, pode ir sempre ao Ciberdúvidas. Ou consultar uma gramática antes de acusar os outros…
 
Para lá das discussões de português, julgo que seria uma boa regra de etiqueta manifestar a nossa discordância em blogues e no Facebook como se estivéssemos cara-a-cara com a pessoa com quem não concordamos.
 
Mas aqui já estou a ser utópico, certo?
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NORMAS EM CONFLITO NA GRAMÁTICA ESCOLAR

normas-e-conflito

O desenvolvimento das pesquisas científicas sobre a linguagem tem proporcionado a contestação de vários dogmas cristalizados no imaginário comum quando o assunto é a língua e o uso que se faz dela. Apesar dos esforços, não é de espantar que haja ainda muita confusão, seja com relação ao trabalho do linguista (tachado por muitos como defensor de um “vale-tudo”), seja com relação a conceitos que ultrapassaram as fronteiras da ciência e caíram de paraquedas em esferas outras, como a escolar.

Se à escola cabe a divulgação dos saberes também científicos, vale a pena questionar a dificuldade que a Linguística encontra em se fazer integralmente presente no material didático disponibilizado aos estudantes. No entanto, o intuito da presente reflexão não é analisar os empecilhos com os quais se depara a ciência da linguagem para se firmar nos anuais escolares. Ao contrário, será analisado o trato de um termo que já se encontra “assentado” na educação básica: a norma.

Antes, é necessário fazer uma incursão histórica à década de 1960, que assistiu à divulgação mais expressiva dos estudos linguísticos, sobretudo por meio de sua introdução nos cursos de Letras. Na mesma época, também houve um aumento na produção de materiais didáticos, cujas finalidades eram duas principais:

(a) preencher uma lacuna da formação dos professores, tidos, já àquela altura, como profissionais que não estavam sendo formados de modo “adequado”;

(b) formar classes mais populares, por conta da demanda de escolarização por parte do processo industrial que se intensificara (González, apud Zilles e Faraco, 2015: 228)

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POLÍTICA LINGUÍSTICA

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MINORITÁRIA OU MINORIZADA?

 

 

Um conceito importante nos estudos linguísticos atuais é o de “língua minorizada”. É diferente de “minoria linguística” porque o que está em jogo não é a quantidade de falantes, mas a situação política e social de sua língua.

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LINGUÍSTICA HISTÓRICA

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 A QUE SERÁ QUE SE DESTINA?

  

Tradicionalmente, conceitua-se a linguística histórica como o campo da linguística que trata de interpretar mudanças no devir temporal, em diferentes níveis de análise linguística. A professora Rosa Virgínia Mattos e Silva (2008: 8-9), para além dessa conceituação, propôs, na introdução do livro Caminhos para a linguística histórica: ouvir o inaudível, que se podem admitir duas grandes vertentes desse campo de estudos: uma linguística histórica lato sensu, que contempla quaisquer trabalhos que se debrucem sobre estudos com dados datados e localizados, e uma linguística histórica stricto sensu, que é aquela que se debruça sobre o estudo da mudança linguística.

 

No mesmo texto, ao responder à questão “qual a relação entre linguística histórica e linguística teórica?”, Mattos e Silva dá o exemplo do PROHPOR (Programa Para a História da Língua Portuguesa), sediado na UFBA. A autora conta que, para que o referido programa de pesquisa, fundado por ela, superasse a questão “que linha teórica seguir?”, optou-se não pelo ecletismo teórico, que seria uma mescla ingênua de teorias mesmo irreconciliáveis, mas por heterodoxos, isto é, diferentes bases teóricas (sempre com coerência e consistência, é claro) poderiam ser utilizadas a fim de reconstituir a sócio-história do português brasileiro.

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POLÍTICA LINGUÍSTICA

POLÍTICA LINGUÍSTICA

 

Nacionalismo linguístico?

 

É uma provocação habitual nas aulas de linguística começar afirmando que as línguas não existem. E é um bom começo! Imediatamente aparecem caras de estranheza, gente coçando a cabeça, olhos arregalados, pequenos protestos e, às vezes, reações indignadas, exigindo maiores explicações.

 

só existem enunciados produzidos em situações concretas de interação

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LÍNGUA INGLESA

LÍNGUA INGLESA

 

ENSINO DE INGLÊS NA REDE PÚBLICA DE ENSINO

 

Qual seria a metodologia mais adequada à realidade da escola pública para que o aluno seja estimulado a aprender e a desenvolver autonomia numa segunda língua dentro e fora da sala de aula?

 

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LETRAMENTO CONTÍNUO

LETRAMENTO CONTÍNUO

 

TEM QUE LER

 

Não tinha mais espaço para minha mala de mão na cabine do avião. Olhei daqui e dali, em fração de segundo, e não vislumbrei nada perto da minha cadeira. Acho que alguns perceberam minha cerimônia em ajeitar pacotes dos outros para enfiar meus pertences. Um senhor me deu um toque:

 

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Ensino de gramática na escola

Ensino de gramática na escola

 

Saberes gramaticais – Formas, normas e sentidos no espaço escolar

 

Muito do que será dito em Saberes gramaticais – Formas, normas e sentidos no espaço escolar a respeito do ensino de gramática na escola já foi colocado e recolocado por diversos autores, alinhados a diferentes correntes teóricas da linguística. Ataliba Castilho, Carlos Franchi, Celso Pedro Luft, Dante Lucchesi, Irandé Antunes, João Wanderlei Geraldi, Luiz Carlos Travaglia, Magda Soares, Marcos Bagno, Maria Helena de Moura Neves, Mario Perini, Marta Scherre, Rodolfo Ilari, Rosa Virginia Mattos e Silva, Sírio Possenti, Stella Maris Bortoni-Ricardo e tantos outros nomes igualmente conhecidos e importantes já se debruçaram (ou vêm continuamente se debruçando) em discussões sobre o lugar da análise gramatical no espaço escolar, procurando refletir sobre como esse e outros espaços contribuem para excluir do campo de visão dos nossos estudantes os traços mais característicos e proeminentes da língua em uso. O que todos esses autores têm em comum é a clara percepção de que a abordagem gramatical centrada no conservadorismo normativo é um dos grandes responsáveis pelo fracasso da escola no trabalho com a linguagem. Esse fracasso se revela não apenas pelo insuficiente desempenho da maioria dos alunos em práticas de recepção e produção textual, mas também pela persistência, em diferentes setores sociais, de ideias simplistas, ultrapassadas e inconsistentes a respeito do que seja — e de como funciona — a gramática de uma língua.

 

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Língua portuguesa e geopolítica

Língua portuguesa e geopolítica

 

Os brasileiros, os galegos e os portugueses 

 

Nós e os brasileiros

 

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Linguística do texto: Irandé Antunes explica seu novo livro

Linguística do texto: Irandé Antunes explica seu novo livro

 

Não à gramática da palavra e da frase

 

Minha pretensão com Textualidade: noções básicas e implicações pedagógicas é oferecer aos professores da educação básica e a alunos dos cursos de Letras e Pedagogia uma introdução aos estudos da textualidade e do texto, com esclarecimentos a respeito de questões mais gerais e preliminares. Uma espécie de iniciação básica… Um começo de conversa… O que significa que é uma ‘iniciação’ (‘um começo’) de ‘uma conversa’, que vai se prolongar e se aprofundar depois… Quero eu!

 

Além dessa iniciação aos conteúdos ligados a esses tópicos textuais, pretendo trazer algumas orientações e sugestões de como os professores poderiam iniciar os alunos nesses estudos textuais, tirando do foco do ensino — como tem acontecido, ainda hoje, em muitas escolas do país — conceitos e atividades mais restritos à gramática da palavra e da frase.

 

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POR QUE BAKHTIN?

mikhail bakhtin

 

Mikhail Mikhaiovich Bakhtin (1895-1975) foi o pensador mais impressionantemente produtivo nas ciências humanas a emergir da Rússia soviética e um dos mais significativos teóricos da literatura no século XX.

 

Mikhail Bakhtin, de Alastair Renfrew, obra que a Parábola Editorial acaba de publicar, demonstrará que as ideias de Bakhtin seguem sendo cruciais para os estudos literários, mas também que sua abordagem da literatura realmente se mantém surpreendentemente produtiva em todo o espectro das ciências humanas contemporâneas.

 

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LETRAMENTOS DIGITAIS

LETRAMENTOS DIGITAIS

 

Preciso me preocupar com as novas tecnologias?

 

Você tem dúvidas e se preocupa com as mudanças que os letramentos digitais podem provocar em sua profissão e em sua vida? A seguir, algumas crenças mantidas por professores que ainda se inquietam com as novas tecnologias são analisadas por Gavin Dudeney, Nicky Hockly e Mark Pegrum em seu Letramentos digitais (São Paulo: Parábola Editorial. Trad.: M. Marcionilo, 2016, p. 65-66).

Você se reconhece algumas delas? Venha ver!

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LINGUÍSTICA TEXTUAL

LINGUÍSTICA TEXTUAL

 

TEXTUALIDADE – NOÇÕES BÁSICAS E IMPLICAÇÕES PEDAGÓGICAS

 

A Irandé Antunes, nos seus 80 anos

 

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Por que [não] amamos o português brasileiro?

Por que [não] amamos o português brasileiro?

 

“O povo que chupa o caju, a manga, o cambucá e a jabuticaba, pode falar uma língua com igual pronúncia e o mesmo espírito do povo que sorve o figo, a pera, o damasco e a nêspera?"

[ALENCAR, José de. Sonhos d´Ouro. São Paulo: Melhoramentos, s.d. apud PINTO, Edith Pimentel. O português do Brasil. São Paulo: Edusp, 1978, p. 96]

 

A epígrafe acima revela um questionamento tão válido quanto o título deste artigo. Embora título e epígrafe soem contemporâneos, a segunda pergunta é de José de Alencar (1829-1877) e data de 1872. Mesmo assim, apesar de separados por mais de cento e quarenta anos, o título e a epígrafe demonstram uma “preocupação” com o português no Brasil existente antes mesmo do advento da linguística, tal como a concebemos.

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Coesão e coerência textual

Coesão e coerência textual

 

Tudo o que você queria saber sobre como construir um bom texto sem se estressar

 

Lutar com palavras, de Irandé Antunes, é mais do que um trabalho sobre a coesão e a coerência textuais. É, sobretudo, um exercício de tradução, em palavras simples e compreensíveis ao leigo, daqueles conceitos teóricos e técnicos que aparecem nos sisudos manuais de linguística textual e que, muitas vezes, passam, sem qualquer mediação explicativa, para os livros didáticos, e a professora ou o professor sequer conseguem saber do que se trata. A capacidade de dizer de maneira simples o complexo é uma das tantas virtudes de Lutar com palavras.

 

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LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DE LÍNGUA MATERNA

LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DE LÍNGUA MATERNA

 

Entrevista com Luiz Carlos Travaglia

 

ReVEL Para o senhor, quais são as principais contribuões que a linguística moderna trouxe para o professor de língua materna?

 

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LINGUÍSTICA TEXTUAL

LINGUÍSTICA TEXTUAL

 

Entrevista com Ingedore Vilaça Koch

 

ReVEL — O que mudou e o que ainda pode mudar no ensino de língua portuguesa a partir dos estudos de linguística textual?

 

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LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

LINGUÍSTICA APLICADA AO ENSINO DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

 

Entrevista com Nina Spada

 

ReVEL — Quais são as contribuições mais importantes da linguística moderna para o ensino de língua estrangeira?

Spada — Uma das primeiras e mais significativas contribuições da linguística moderna para o ensino de segunda língua e de língua estrangeira foi a concepção de linguística estrutural, que, quando combinada com a teoria behaviorista de aprendizagem, levou ao desenvolvimento do método audiolingual. Esse método, considerado o primeiro método “científico” de ensino de língua, passou a dominar a área por muitas décadas antes da chegada da “revolução linguística” de Chomsky no final dos anos 1960, com a introdução da gramática universal (GU). A ideia de que existe uma gramática universal das línguas humanas se originou com a visão de Chomsky sobre a aquisição da língua materna (L1). Ele estava procurando uma explicação para o fato de que praticamente todas as crianças aprendem sua língua em um momento de seu desenvolvimento cognitivo em que estão experimentando dificuldades para conquistar outros tipos de conhecimento que parecem ser bem menos complicados do que a linguagem. Chomsky argumentou que isso não poderia ser conquistado pela mera exposição a amostras de linguagem no ambiente linguístico, porque a língua a que a criança é exposta é incompleta e algumas vezes “degenerada” ou fragmentária. Além disso, as crianças parecem ser capazes de adquirir sua língua materna sem qualquer feedback sistemático de correção, nem qualquer instrução. Chomsky então concluiu que as crianças devem ter uma faculdade inata da linguagem — um mecanismo com o qual elas já nascem — que as torna capazes de “decifrar o código” da linguagem que elas eventualmente irão aprender como língua materna, através de um processo de formulação de hipóteses e testes.

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POLÍTICAS LINGUÍSTICAS E ESCOLA

POLÍTICAS LINGUÍSTICAS E ESCOLA

 

Políticas linguísticas

 

Se uma das possibilidades de definir políticas linguísticas diz respeito a tomadas de decisões sobre a língua, sobre seus usos e usuários, a escola como instituição dificilmente escapa delas. Pelo contrário, as chamadas políticas linguísticas de aquisição afetam diretamente o que se faz na escola e como se faz, pois é nas instituições educacionais escolares que a maior parte delas se efetiva. Tanto em linhas gerais (cf. Spolsky, 2016a), quanto em casos específicos (cf. Sarmento, 2016), as políticas linguísticas educacionais figuram em destaque. Além das discussões escolares que envolvem a legislação educacional vigente e os documentos prescritivos elaborados pelas instâncias governamentais, há casos que repercutem em diferentes esferas e mobilizam um conjunto de atores sociais, nem todos com a mesma força. Exemplos disso são a adoção e a implementação do Acordo Ortográfico, ou a gestão do Programa Nacional do Livro Didático (Sarmento, 2016). Em ambos os casos, tanto os processos quanto os produtos finais tocam diretamente a educação escolar, e não apenas o ensino de língua portuguesa ou de línguas adicionais, mas de resto todos os componentes curriculares e o próprio funcionamento da escola. Em ambos os casos, muito se discutiu nos meios de comunicação e entre especialistas. Os professores, no entanto, nem sempre são escutados. Embora sejam agentes da implementação, nem sempre é ocupado o pouco espaço de discussão que lhes é oferecido, ou que é por eles conquistado. A preocupação de muitos em como ensinar as alterações ortográficas que vieram com o Acordo é por diversas vezes respondida pela publicação de manuais ou encartes editoriais que resumem o conjunto de novas regras, sem dimensionar essas informações nas práticas de linguagem, nem na pauta mais ampla das reponsabilidades formativas dos educadores da linguagem. A escola parece ter ficado com mais uma tarefa difícil, entre as tantas diversas que já enfrenta, sobre a qual quase não desenvolve agentividade.

 

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